Como ser teimoso faz você perder dinheiro

03/05/2018

 Aquele amigo não parava de mostrar o celular na reunião do grupo. Havia comprado uma fração de bitcoin a R$ 4 mil e agora exibia aos demais, com orgulho, o bom negócio que fez, já que meses depois o valor estava acima de R$ 32 mil. Você até que tentou ignorá-lo, mas a moeda digital continuou a subir as próximas semanas. A R$ 60 mil, não aguentou mais e fez o investimento. Agora, seis meses depois, o bitcoin vale menos da metade do que você gastou.

 
O que fazer, assumir o prejuízo e vender ou comprar mais, já que nesse preço a moeda está numa grande oportunidade se voltar a subir?
 
Ninguém pode garantir para onde o bitcoin vai. Mas se sua resposta foi “comprar mais”, você não está sozinho.Custos irrecuperáveis surgem quando, para compensar um investimento qualquer, de dinheiro, tempo ou outra coisa, em vez de abandonar o que já foi investido, a escolha é por dobrar a parada. Ninguém, lógico, está a fim de perder dinheiro, então por que agimos assim?
 
A dupla de pesquisadores Hal Arkes e Catherine Blummer, como todo mundo, não tem uma resposta. Se levado em conta apenas o que ainda deverá ser gasto, a decisão mais lógica é desistir, mesmo tendo de lidar com a perda. No entanto, muita gente prefere ir adiante.
 
Saber destes custos, diz o estudo “A psicologia dos custos recorrentes”, não muda nossa decisão. Não apenas nos investimentos como em praticamente tudo na vida é quase irresistível o impulso de tentar salvar aquilo no qual se investiu tanto. Temos dificuldade em aceitar que perdemos algo, explicam os pesquisadores.
 
São os governantes brasileiros que gastaram quantias faraônicas em estádios da Copa do Mundo de 2014 ou em ginásios para a Olimpíada do Rio, hoje semiabandonados, mas que poderiam ter gasto muito menos se tivessem desistido quando as obras estouraram o orçamento. Ou alguém que dedicou muito tempo a um relacionamento que agora está muito ruim. Por mais de uma razão seguimos, mas o ponto em comum é que o que já foi gasto geralmente é visto como mais importante do que o que ainda se pode perder.
 
Para estudar como ocorrem estas decisões, Arkes e Blummer fizeram um experimento com universitários dos estados americanos de Ohio e Oregon. No primeiro teste, eles tinham de decidir se desistiam de uma viagem pela qual já pagaram US$ 100 porque encontraram outra, por US$ 50, muito mais interessante. Entre os estudantes, 54% preferiram a viagem de US$ 100.
 
A premissa dos livros de economia é de que esse cálculo é feito de maneira racional, com base nos custos x benefícios da escolha. Se é mais divertida, valeria mais a pena a viagem de US$ 50, mas foi a escolha de só 46% dos participantes. O gasto feito na viagem vencedora influenciou a maioria das escolhas, concluíram os pesquisadores.
 
Em outro teste – foram dez no total –, a decisão era sobre se o presidente de uma companhia aérea, depois de investir no projeto de um avião invisível ao radar, que está 90% concluído, deve continuar depois de saber que o concorrente acaba de criar o mesmo aparelho, muito mais eficiente. Ele deve continuar o projeto e terminar o avião mesmo sabendo que não terá mercado? Dos 48 participantes, 41 disseram que sim.
 
Para os pesquisadores, o estudo mostra que os custos irrecuperáveis ocorrem porque cometemos erros de julgamento sem nos dar conta. Voltando ao exemplo do bitcoin lá do começo, talvez você ainda comprasse mais, mesmo perdendo. Mas não pelas razões que imagina.

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